Renovar é preciso

Posted on 7 de fevereiro de 2013

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Coluna publicada pelo jornal Folha de S.Paulo, reproduzida abaixo, comenta e expõe os motivos pelo qual o PSDB, um dos grandes partidos da república, caminha a passos largos para se tornar uma agremiação menor e diminuta.

A conclusão, óbvia, é que falta de renovação de seus quadros é o grande mal dos tucanos nesse ciclo político. Assunto que já fora tão discutido nas redes sociais, só agora ganha as páginas da grande imprensa, que já se mostra preocupada com a revoada de tucanos do seu ninho.

O risco é real, importantes quadros tucanos deixaram o partido e se elegeram na última eleição por outras legendas, outros tantos se uniram ao PSD de Kassab e sabe lá quantos que irão debandar para o novo partido da ex-petista Marina Silva… E não serão poucos.

Com a concentração ideológica do partido fincada no eixo São Paulo – Minas, remetendo a velha política do café-com-leite, os tucanos caminham a passos largos para perderem espaço para os crescentes PSB e o PSD, hoje na base do governo, mas que paralelamente já trabalham o cenário de 2014.

Marina Silva, a terceira via, é outra que pode atrapalhar os planos do PSDB. Com boa votação em 2010 e com a aprovação em alta da presidenta Dilma, a acreana tem potencial para desbancar quem for o candidato tucano disputar o segundo turno em 2014. Lembrem-se, Aécio ainda não é um nome consolidado dentro do partido.

E que não se iludam sobre uma mobilização em torno do nome de Aécio Neves. O PSDB paulista é quem tem maior força e poderio econômico no partido, se for vontade de Serra, o partido será forçado a realizar uma prévia nacional, o que atrasará o projeto de exposição do candidato e causará grande desgaste na imagem do vencedor. Serra não vai “vender barato” a última chance que tem de ser presidente, e se preciso for, empurrará via fórceps mais uma candidatura sua guela-abaixo do eleitor.

Ter uma oposição forte e estruturada é fundamental para o bom andamento da república, agindo com fiscalização e contraponto às medidas do governo. O que o PSDB faz hoje é uma oposição fraca e sem ideologia. Hoje não se sabe se a oposição é praticada ao governo ou se é voltada para dentro do próprio partido, contra os nomes que surgem para uma possível renovação.

Enquanto isso, o PT segue governando sem sombra, sem que uma proposta de governo alternativa (e boa) tire seu sono até as eleições.

Diminuiçõa do reduto tucano

Oligopólio tucano

Ricardo Mendonça

SÃO PAULO – Desde o ano 2000, antes de Lula chegar à Presidência, portanto, os únicos dois nomes que o PSDB oferece aos paulistanos em qualquer eleição para prefeito, governador ou presidente da República são José Serra e Geraldo Alckmin.

O atual governador de São Paulo foi candidato a prefeito na capital em 2000 e 2008. Serra disputou a prefeitura em 2004 e 2012. Antes, já havia tentado em 1988 e 1996. Repare: só eleitores paulistanos com mais de 37 anos de idade tiveram a chance de votar num tucano que não fosse Serra ou Alckmin para prefeito. Foi na longínqua candidatura do hoje verde Fabio Feldmann em 1992, lembra?

Nas eleições para o Planalto ou para o Bandeirantes, a situação é parecida. Em 2002, Serra saiu para presidente, Alckmin para governador. Em 2006, inverteram: Alckmin para presidente, Serra para governador. Em 2010, desinverteram: Serra novamente para presidente, Alckmin novamente para governador.

Hoje acontece a abertura do congresso estadual do PSDB paulista. A expectativa é que Serra apareça e faça seu primeiro discurso após a eleição municipal de outubro. Os tucanos devem aproveitar para discutir estratégias para 2014. Qual é a grande articulação em curso?

Bingo. Dar um jeito para lançar Serra para presidente (a tática agora é falar em prévias ou primárias); e garantir as condições para a reeleição de Alckmin governador.

Nem é justo dizer que o PSDB tem problemas para formar quadros competitivos. Depois do petista Fernando Haddad, o maior vencedor da eleição paulistana foi o neopeemedebista Gabriel Chalita, tucano até outro dia. O Rio de Janeiro reelegeu o prefeito com a segunda maior votação proporcional em capitais, Eduardo Paes, tucano até outro dia. Em Curitiba, a surpresa foi a vitória de Gustavo Fruet (PDT), tucano até outro dia.

Por que eles só conseguiram subir ao primeiro escalão da política após sair do PSDB? Poderia ser um tema para o congresso de hoje. Mas não é.

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