Dois pesos, duas medidas: o tratamento recebido por petistas e tucanos

Posted on 10 de janeiro de 2013

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Quando o senador da Paraíba Cássio Cunha Lima (PSDB), condenado e barrado pelo TSE por sua ficha suja, conseguiu um recurso favorável no STF e tomou posse, em 2011, poucos souberam do caso, a imprensa fez pouco alarde e noticiou o fato de forma objetiva.

O jornal “O Globo” chegou a tratar da posse do tucano, na ocasião, como “festa”, sem questionar a moralidade, ética etc. Na época de sua cassação, em 2007, Cunha Lima, então governador da Paraíba, foi condenado em todas as instâncias, inclusive no STF, por uso de programas públicos para proveito político e pessoal.

O jornal carioca, em sua posse como senador, chegou a citar que a Constituição Brasileira estava sendo cumprida, pois o STF havia concedido a liminar, já que a condenação de Cunha Lima seria anterior à eleição de 2010.

Na última semana, quando o deputado José Genoíno (PT-SP) tomou posse, também obedecendo a Constituição, o jornal deu destaque negativo e jocoso na primeira página “A posse de Genoino – Condenado assume na Câmara”. O colunista do jornal e blogueiro, Ricardo Noblat, soltou “Genoino, deputado. Legal, é. Imoral, também!”.

Por que não foram coerentes e fizeram o mesmo com Cunha Lima? 

Genoino sofreu um julgamento político. Foi condenado sem provas concretas, por dedução, por pressão da imprensa. Nenhum centavo ilícito foi encontrado em suas contas, mesmo tendo sua vida completamente devassada. Seu patrimônio e padrão de vida particular é extremamente modesto para quem foi deputado desde 1982 e ocupou importantes posições na vida nacional.

Há dezenas de parlamentares com alguma condenação no Congresso. Alguns por estarem condenados em instâncias inferiores, ainda recorrem nos tribunais superiores, por isso a condenação não é definitiva, e exercem o mandato. Genoino ainda pode recorrer com embargos e sua condenação pode até ser anulada.

Mas a imprensa ignora esses fatos por oportunismo.

A sociedade não quer que se passe a mão na cabeça de políticos, a sociedade precisa é de isenção e de tratamentos iguais.

Cássio é filho do falecido político Ronaldo Cunha Lima, também senador e governador da Paraíba. Ronaldo ficou conhecido no Brasil inteiro, quando em 1993, já eleito governador, acertou três tiros em seu antecessor no governo, Tarcísio Buryti, que permaneceu vários dias em coma e morreu anos depois.

A motivação do atentado teria sido denúncias feitas pelo ex-governador ao filho de Ronaldo, o mesmo Cássio, que era superintendente da SUDENE à época.

Nada disso também foi lembrado. Mas imaginem se fosse um petista?!

Em tempo: Cunha Lima foi premiado e indicado a líder do PSDB no Senado em 2013, em substituição ao milionário Alvaro Dias, do Paraná, que escondeu um patrimônio maior que R$ 16 milhões nas declarações do imposto de renda, mas isso também não foi divulgado

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