Revista VEJA: Varrendo os escândalos tucanos para debaixo do tapete

Posted on 23 de março de 2012

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AVEJA.com atualizou sua “Rede de escândalos”,  com outros 10 casos,  no dia 28 de janeiro deste ano (2012). Estamos falando de uma ferramenta virtual com uma galeria dos maiores escândalos políticos (segundo a ótica da revista) ocorridos desde 1987. Falam de seus envolvidos e do desdobramento de cada um deles.  A BANCOOP novamente teve espaço garantido para  exploração política do caso. Vale a pena ver de novo?

Os "escândalos" abordados referem-se do período que vai de 1987 até 2010, nas gestões de Sarney, Itamar Franco, FHC e Lula. Porque justamente José Dirceu (PT) foi o escolhido para ilustrar a "REDE"?

A começar pelo infográfico, vemos que a revista tenta, descaradamente, associar os escândalos ao PT, por meio da foto de José Dirceu e de uma mão com muitos dólares.

Os escândalos escolhidos:

10 casos foram acrescidos à galeria, cada um deles conta com a descrição do episódio, das personagens envolvidas e do rumo dos acontecimentos. Eles pedem para você clicar no infográfico para ver os 10 novos escândalos. Clicamos, entramos na Rede, e, o primeiro que se visualiza imediatamente, é o “Caso Erenice” em uma capa com ex-ministra acompanhada pela presidente Dilma Roussef. Mas, cadê os novos? Existe também, um termômetro que afere a gravidade do escândalo, o mesmo recebeu o engenhoso nome de “escandalômetro”, cuja a aferição é baseada  no número de capas do mensalão. (????)

A intenção é dar destaque  ao PT? Parece que sim. Abaixo, uma breve análise de alguns dos 10 casos que foram adicionados à rede.

O caso Banespa (1987): Uma foto de caixas eletrônicos  ilustra o escândalo, não há alusão partidária e muito menos foco na imagem dos citados. As personagens envolvidas no caso são o ex-governador Orestes Quércia, e Fleury, responsáveis pelo rombo de 1 bilhão de cruzados. A revista aproveita para citar que SERRA e FHC,  nesta época deixam o PMDB, partido de Orestes Quércia, e, que por uma questão ética, e, fundam o PSDB (ótima oportunidade de favorecer a imagem de ambos,não é?). A revista diz que o ex-governador “tomou dinheiro emprestado” para acelerar obras, dar aumento ao funcionalismo público e assim fazer seu sucessor, que era Luiz Antônio Fleury Filho, ou seja, praticamente o absolve da corrupção. Não falam, por exemplo, que Ricardo Sérgio de Oliveira, o Mister Big, tesoureiro das campanhas tucanas, foi convocado a depor na CPI para explicar a procedência dos U$ 3 milhões investidos em paraísos fiscais, que trouxe de volta ao país em 1992.

Se trata de um escândalo ocorrido numa estatal. Mas, a gente se pergunta, na gestão de LULA, a foto do presidente sempre foi utilizada. Mais uma vez vemos que a VEJA blinda os partidos de direita.

O caso Paubrasil (1993):Aqui a vilania fica por conta da empresa do maestro João Carlos Martins. Paulo Maluf, que teve sua caravana malufista beneficiada pelos R$ 20 milhões arrecadados por João para compor o caixa 2 que o reelegeu, não é acusado, chamado de bandido ou algo assim. No máximo, citam que uma corretora chamada Cotação, que emitia cheques para pagamento de despesas da campanha, tinha Maul dentre o quadro de sócios. Não há existência de elementos visuais que remetam o acontecido ao partido de Maluf e afins.

Acho que neste dia o diretor de arte deveria ter faltado. Cadê as artes gráficas tão bem elaboradas? Essa foto não diz absolutamente nada.

Os desvios da Sudam (2001): As fraudes na Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia causaram um rombo de R$ 100 milhões aos cofres públicos. O escândalo ocorreu durante a gestão de FHC, mas, o nome do ex-presidente em momento algum. Por muito menos, em outras edições, a VEJA colocou na capa o ex-presidente Lula dizendo que ele não sabia de nada. No caso da Sudam a capa foi dedicada ao apresentador de programas dominicais, Gugu Liberato, afinal, é melhor ilustrar o momento com a “guerra da audiência dominical”, blindando assim, novamente, Fernando Henrique Cardoso e seu partido, o PSDB.

O caso Bancoop (2010):Empenho por parte da VEJA. É isso que se nota quando se lê o “Caso Bancoop”. Ao contrário dos outros “escândalos”, até vídeo foi postado. O resumo do escândalo é ilustrado com uma foto onde aparecem o ex-presidente Lula, Ricardo Berzoini, Luiz Malheiros e João Vaccari Neto, numa tentativa de grudar a imagem de Vaccari e da Bancoop ao PT de Lula.

Porque uma foto com a presença de Lula se ele não tem relação nenhuma com o caso?

A capa de VEJA, que requentou o caso novamente sem trazer nada de novo, mostra uma construção feita com notas de dinheiro. Vemos acima de tudo um arsenal publicitário que foi montado para confundir e induzir a população a  não votar em Dilma Roussef (PT). Ao contrário de todos os escândalos que referem-se aos outros partidos, o caso Bancoop conta com repetidos elementos do PT.

Uma moradia feita de dinheiro sendo desmanchada. A foto de Vaccari, a menção do PT e uma estrelinha vermelha. Anti-jornalismo travestido em peça publicitária. Algo precisava ser feito. SERRA (PSDB) despencava a cada pesquisa na disputa eleitoral.

Muitas mentiras e alucinações nas matérias publicadas pelo veículo:

1-A mentira da VEJA: Dirigentes da Bancoop teriam sacado pelo menos 31 milhões de reais boca do caixa”

A verdade: Isso nunca existiu. Inclusive, um despacho proferido pelo Juiz de Direito, Eduardo Lora Franco, pedia que os acusadores apresentassem as provas dos supostos cheques, mostrando os números, valores e datas dos mesmos, o que nunca foi feito.

2-A mentira da VEJA: “Fundada em 1996, a Cooperativa Habitacional de Bancários atraía adesões com lançamentos imobiliários a preços até 40% abaixo do mercado. Mas para prejuízo dos cooperados, parte dos investimentos era desviada para a conta de seus diretores e o caixa 2 do PT, segundo denúncia do Ministério Público”.

A verdade: Bancoop passou por dificuldades financeiras. Uma das principais causas, é que a gestão de Luiz Malheiros, ex-presidente que antecedeu a gestão de Vaccari, não fazia a apuração final de custos dos empreendimentos, para verificar se a previsão de custos das obras, estava de acordo com o valor que foi gasto na construção do imóvel . Sendo assim, o rateio final também não era feito. Não existe desvio de dinheiro para caixa 2.

3-A mentira da VEJA:  “Segundo denúncia do Ministério Público. Para cobrir o rombo, a Bancoop exigia que os cooperados investissem mais, sob pena de perder tudo o que já haviam desembolsado”.

A  verdade: Mentira deslavada. A Bancoop, na gestão de João Vaccari Neto, passou a efetuar a cobrança do rateio final, prática comum e regida pela Lei do Cooperativismo (Lei 5.764/71).  O valor é referente ao que de fato foi gasto para a conclusão das obras, e, perícias judiciais confirmaram os custos.

Aqui, as capas referem-se novamente a ano eleitoral. A VEJA simplesmente "pixa" a estrela do PT, supondo uma comissão de 12% no Caso Bancoop, ainda por cima, ligam o caso ao mensalão. Ao lado, SERRA esbanjando meiguice e ternura. Nova tentativa de mina a candidatura de Dilma Roussef, a sucessora de Lula.

Os outros “escândalos”
  • A máfia da Previdência (1991):
  • O Frangogate (1997)
  • A máfia dos fiscais na cidade de São Paulo (1998)
  • O mensalão do DEM no Distrito Federal (2009)

Sentimos falta de alguns (tem muito mais que os que elencamos abaixo) “escândalos”, na lista feita pela VEJA:

  • Calote no FUNDEF
  • Abuso de MPs
  • Racionamento de Energia (o famoso APAGÃO)
  • Alta do desemprego
  • Desvalorização do Real
  • Corrupção do CDHU
  • Engavetamento de 1432 denúncias contra os tucanos na ALESP
  • Aumento de 490% em publicidade e corte de R$ 9 bilhões em programas sociais durante o governo de José Serra em SP
  • Racismo
  • Detran
  • Pedagiômetro
  • Privataria Tucana (nunca sequer noticiado)
  • Venda de Emendas na ALESP
  • Alstom – Metrô de São Paulo
É inegável o tratamento distinto oferecido aos partidos para atendimento de interesses político-econômicos, seja no que tange à denúncias ou benfeitorias. Não podemos permitir e compactuar que este veículo continue a criar factoides eleitorais em anos com pleito.
Seja qual for o veículo de comunicação, ele deve trabalhar à serviço da população, com base na ética, seriedade e jamais com intuito de servir aos interesses de algum grupo.
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Posted in: Grande Mídia