Retrospectiva da revista Veja e as capas que “falam”

Posted on 27 de fevereiro de 2012

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Para se aferir a qualidade do jornalismo praticado pela revista VEJA, não é preciso ler o conteúdo das publicações semanais. Basta olhar com certa atenção a capa da revista. Fizemos uma retrospectiva com as capas da revista VEJA, um dos quatro veículos que compõem a chamada “grande mídia” (Jornais: Folha de S. Paulo e o Estado de S. Paulo; revista Veja e TV Globo) . Vimos um veículo muito engajado politicamente e em constante campanha eleitoral em favor do PSDB de José SERRA.

Lula X FHC – Disparidade no tratamento

Os impressos produzidos ficam caracterizados pelo tratamento diferenciado conferido a dois de nossos ex-presidentes: Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva. O primeiro sempre tratado com enfoque em suas qualidades técnicas: é um homem letrado, sério e ótimo administrador público. Notamos também a suavidade na abordagem de assuntos espinhosos. O segundo, sempre com amplificação de temas negativos, preconceito (o presidente veio da classe trabalhadora e foi sindicalista) e com tom de condenação. Vamos mostrar também um pouco das distinções percebidas no tratamento dispensado nas eleições presidenciais no Brasil.

De dois em dois anos?

A cada dois anos o compromisso da revista com os membros da cúpula tucana redobra. O motivo? Ano eleitoral. Tudo funciona de forma orquestrada, em defesa dos candidatos de partidos conservadores e de direita. Vemos uma revista empenhada em transformar o debate de ideias e projetos num embate moral. Começam a aparecer os famosos “factoides eleitorais”. Esse poderio econômico existente na imprensa brasileira serve apenas e tão somente para tornar o processo eleitoral brasileiro menos democrático e evidenciar o antijornalismo.

Graças a campanha feita em torno do Plano Real, FHC está a frente de Lula nas pesquisas de intenção de voto em 1994. Note que a revista já trata FHC como um chefe de Estado.

Mais uma tentativa em desconstruir os movimentos sociais e populares. Esbanjam da cor vermelha. É como se dissessem nas entrelinhas: “O MST é perigoso. Mais perigoso ainda, será se o PT ganhar a presidência da república.”

“Mas será que ele têm chance?” Será que a intenção era de mostrar que Lula não levava a sério sua candidatura? Já, FHC, em sua capa, contou com uma bela foto e outro tipo de abordagem.

O MST (Movimento dos sem-terra) é associado a baderna. De novo denigrem a imagem de um movimento popular e de causa legítima. Na época, o país passava por desaceleração econômica, e, PRIVATIZAÇÕES. Mudança de foco, não é?

Era véspera de apagão. Fazem uma espécie de aviso, mas, não falam que a responsabilidade é do governo FHC. Na capa com Lula, frisam a defesa pela aliança e continuidade da moeda.

Aqui usam do MEDO e do preconceito. Colocam em xeque a capacidade de um trabalhador em governar um país. Na segunda capa, chega a doer. Alguém tenta conter um cão raivoso (encoleirado com estrela do PT e tudo mais). O rabo do cão é de um capeta. No lugar da cabeça usam a imagem de homens que parecem irados com algo. Por fim, falam que a "ala radical" parece estar calada, mas que depois vai cobrar uma conta que pode ser paga pelo povo. (Faltou a Regina Duarte)

Aqui usam do MEDO e do preconceito. Colocam em xeque a capacidade de um trabalhador em governar um país. Na segunda capa, chega a doer. Alguém tenta conter um cão raivoso (encoleirado com estrela do PT e tudo mais). O rabo do cão é de um capeta. No lugar da cabeça usam a imagem de homens que parecem irados com algo. Por fim, falam que a “ala radical” parece estar calada, mas depois vai cobrar uma conta que será paga pelo povo.

Lula eleito. Porque não usaram a estrela do PT e a cor vermelha? Soou como uma ameça o aviso que o desafio do novo presidente era não colocar em risco as conquistas de FHC. Ao lado, a preocupação com a "política externa".

Lula eleito. Porque não usaram a estrela do PT e a cor vermelha? Soou como uma ameça o aviso que o desafio do novo presidente era não colocar em risco as conquistas de FHC. Ao lado, a preocupação com a “política externa”.

Outro aviso: A inflação está de volta. É preciso fazer algo. Na capa seguinte, o “quem diria” quer dizer que Lula não é assim tão radical ou perigoso. Mão à palmatória?

O que foi o uso deste trocadilho? A capa de FHC quando eleito passava total seriedade e confiança. A de Lula, novamente com aviso de cobrança. Na outra capa, faltou colocar um dos Trapalhões pra vender melhor o conceito de “governo de trapalhadas”.

Demorou, mas, a primeira-dama Marisa ganhou uma capa na VEJA, não foi como RUTH Cardoso que foi "notícia" durante as eleições, mas a gente entende.  José Rainha, líder do MST ilustra outra tentativa da de VEJA em destruir o movimento social.

Demorou, mas, a primeira-dama Marisa ganhou uma capa na VEJA, não foi como RUTH Cardoso que foi “notícia” durante as eleições. José Rainha, líder do MST ilustra outra tentativa da de VEJA em destruir o movimento social.

Ambas as capas tentam passar a ideia de que o PT de Lula quer voltar aos tempos de censura e ditadura. Trataram de forma delirante a questão da regulamentação das atividades de comunicação.

Ambas as capas tentam passar a ideia de que o PT de Lula quer voltar aos tempos de censura e ditadura. Trataram de forma delirante a questão da regulamentação das atividades de comunicação.

Nada de semelhantes nas publicações da revista no governo de FHC.  E tem mais pela frente.

Nada de semelhante nas publicações da revista no governo de FHC. E tem mais pela frente.

Querem dizer que Lula sabia de tudo, que era conivente e que nada fez para evitar os crimes.

A revista trabalha duramente para promover a queda do ex-presidente. IMPEACHMENT é a palavra com enorme destaque na capa.

Clara tentativa de dizer que o eleitorado que vota em Lula e que decide as eleições, é de baixa renda, sem qualificação profissional e negro. Preconceito destilado afim de promover uma luta de classes. Naquele momento já era claro que Lula seria reeleito. A capa seguinte dá a entender que Lula (olhos vendados e mão no bolso), já não exerce sua função de forma adequada.

"2026, É LULA OUTRA VEZ...!" Queriam dizer que o ex-presidente lutaria pelo terceiro mandato. Ao estampar a outra capa com a doença de Dilma Roussef, a Veja deixava a mensagem de que o cenário era indefinido e que Lula não tinha sucessor.

“2026, É LULA OUTRA VEZ…!” Queriam dizer que o ex-presidente lutaria pelo terceiro mandato. Ao estampar a outra capa com a doença de Dilma Roussef, a Veja deixava a mensagem de que o cenário era indefinido e que Lula não tinha sucessor.

Na verdade, as críticas não eram para o filme de Lula. Era apenas uma gancho para atacar o governo.

Tentativa de desvincular a imagem de Dilma do PT. Ao lado, a revista aproveita para “requentar” o “Caso BANCOOP”. A revista já havia publicado outras matérias a respeito. Nelas, não há a existência de uma linha com pronunciamento dos dirigentes da BANCOOP. A revista fez constantes publicações sem que houvesse denúncia formalizada na Justiça. A capa dedicada à João Vaccari Neto foi a última tentativa da Veja para reerguer José Serra (PSDB), que acumulava quedas e mais quedas nas pesquisas de intenção de voto. Típico factoide eleitoral criado por tucanos e disseminado pela “grande mídia”.

Ano eleitoral é assim. Tudo ou nada. De um lado, Serra em sua melhor pose de simpático bom moço. Na capa anterior, novamente falam da Bancoop. O fato de João Vaccari Neto ser do PT, foi o motivo encontrado para vincular o caso a candidata petista Dilma Roussef. O mais estarrecedor, é que a matéria veiculada é fantasiosa,e, em momento algum apresentam provas da denúncia feita.

O que são estes polvos maquiavélicos? De novo a tática do medo?

Parece mais uma peça publicitária do que uma capa de revista. Vermelho,brasão, POLVO em outro trocadilho, tática do medo, maços de dinheiro. Pensando melhor, passaram da tática do medo para o TERRORISMO eleitoral. Alguém já viu a VEJA dar este tipo de tratamento ao PSDB em suas publicações?

Cômite eleitoral, mas, numa versão impressa e com páginas. Falta isenção e sobra tendenciosismo.

Capas incompletas. Na primeira falta a frase: “Dilma é a favor de matar criancinhas”, da sra Mônica Serra. Na capa seguinte, poderiam ter dito que quem é pego no teste do bafômetro, não conseguirá nunca dirigir um país.

Capas que antecederam as votações do primeiro e segundo turno em 2010. Era a tacada final. Mal gosto, desrespeito e desdém.

Alguma dúvida quanto aos interesses da revista em distorcer e denegrir a imagem do PT ou de seus governos?

Tem uma frase que poderia ser considerada como um dito popular: Leu na Veja? É melhor desconfiar!

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Posted in: Grande Mídia