A Mancha Verde no passado de Fernando Capez (PSDB)

Posted on 14 de fevereiro de 2012

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Fernando Capez exerce seu segundo mandato como deputado estadual por São Paulo, pelo Partido da Social Democracia Brasileira, o PSDB. Procurador de Justiça licenciado, é também, Diretor do curso de Direito da Uniban e autor de mais de 20 obras jurídicas. Capez, que preside a Comissão de Constituição e Justiça, é dono de um dos nomes mais conhecidos por estudantes e concursandos ligados à área jurídica. É muito lembrado por torcedores dos clubes paulistas de futebol e por cooperados da BANCOOP, que até hoje lamentam o uso político que o deputado fez do caso.

O início da FAMA

A selvageria das torcidas organizadas nos estádios, ocorrida nos anos 90, “sensibilizou” Capez, que, na época, era promotor de Justiça e atuava diretamente com o tema da violência nos estádios. Muitos, até os dias de hoje, afirmam que o empenho de Capez se tratou de autopromoção, e que a “coisa” não era da forma como a mídia noticiava. Capez queria ter motivos para fazer jus à cadeira que desejava ocupar na ALESP. A perseguição às torcidas organizadas (Mancha Verde e Independente) atendia perfeitamente aos interesses midiáticos da imprensa esportiva brasileira. A causa defendida comovia a população e tirava o foco de sua contestável e claramente pífia atuação como promotor. Combater a violência nos estádios era sinônimo de se ter um palanque eleitoral, iluminado e com  constantes flashes dos canais de TV a cada confusão noticiada.

Torcedores dizem que a ação principal de Fernando Capez foi transformar torcidas em quadrilhas, transformando torcedores em marginais. Tudo por meio do uso do “peso da lei”, e de brigas (inclusive algumas arranjadas) que tinham grande participação da PM de SP. Diversos torcedores afirmam que a Mancha Verde foi punida várias vezes sem que as denúncias fossem apuradas e comprovadas. Há relatos de que em dias de jogos, a PM praticava o abuso de poder. Bombas de efeito moral, balas de borracha, invasão da sede, perseguição de torcedores com viaturas e até quebra-quebra. Tudo bem parecido com o que a mídia a todo custo  tentou esconder nos últimos dias (ação da PM na reintegração  na favela do Pinheirinho,  Cracolândia e recentemente no centro de SP).

Fez fama e ganhou a mídia com as inúmeras aparições em programas esportivos de domingo à noite. Esta fama rendeu a Fernando Capez a eleição como deputado estadual. Mas, até hoje, o que a sociedade questiona é: Por que a violência nos estádios não acabou? Pelo contrário, só aumentou. Por que as demais torcidas de futebol não foram extintas? Elas não entravam em confusão? A verdade é que Capez fracassou com suas medidas equivocadas, demagogas e eleitoreiras.

Juca Kfouri e a derrota na Justiça

Fernando Capez deve ter ficado verde de raiva com a derrota sofrida na Justiça referente ao processo contra o jornalista esportivo Juca Kfouri.

O jornalista, em seu blog, fez uma crítica ao desempenho dos alunos do curso de Direito da Uniban, no exame da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil). A Universidade tinha dentre seu quadro de docentes, Fernando Capez, diretor do curso de Direito. Juca foi mais longe. Disse que além do fracasso como diretor, Capez já havia fracassado na luta contra a violência nos estádios de futebol. O deputado se sentiu ofendido e apelou para as vias judiciais. A partir daí, houve uma decisão liminar que obrigava o jornalista Juca Kfouri a pagar R$ 50 mil para Capez a cada ofensa feita ao deputado estadual, num típico exemplo de censura. Mais tarde, a multa imposta à Juca, foi derrubada pelo TJ, por meio de recurso apresentado pela defesa do jornalista. O entendimento era de que as críticas eram proferidas à pessoa pública, e que desta forma, nem sempre agradariam ao criticado, não cabendo multas.

Decifra-me se for “CAPEZ” – segunda derrota

A revista Carta Capital, em março de 2003, fez a publicação de um editorial cujo título era “Decifra-me se for Capez”. Nele, a revista expressava a sua opinião sobre as ações do promotor diante da violência nos estádios de futebol. O editorial criticava a forma como a questão foi tratada, com o uso de medidas emergenciais e paliativas. Na época, o deputado tucano, contou com muito espaço na TV, desde programas esportivos, até mesmo alguns pitorescos que não conseguimos classificar, como é o caso do Programa do Ratinho. Neste caso, o valor da indenização também era de R$ 50 mil.

Rádio Globo – 3 derrotas já é demais

Outra vez o deputado se sentiu ofendido e reclamou. Percebe-se que Capez não é lá muito defensor da democracia. Os comentários feitos por Juca Kfouri durante a transmissão de um programa na rádio CBN não o agradaram por serem, segundo ele, ofensivos. A ofensa seria por conta da declaração de que Capez é amigo de um conselheiro que representa um dos projetos para um clube de futebol, e, que alguns conselheiros haviam sido beneficiados com recursos. Nem mesmos os desembargadores viram a ofensa. Perdeu mais essa e pior, vestiu a carapuça.

InCAPEZ de resolver problemas

Fernando Capez nunca quis resolver ou banir a violência dos estádios. As torcidas banidas foram verdadeiros bodes expiatórios, para alguém que tinha a ambição de ser secretário de Segurança Pública de Paulo Maluf e ter um pouco mais de 15 minutos de fama. Anos mais tarde, em 2011, Capez, tentou, novos 15 minutos de fama, desta vez em uma audiência pública na ALEASP sobre a  BANCOOP. Infelizmente, não resolveu o problema dos cooperados. O que fez, foi mostrar claramente o uso do caso para seu projeto político-pessoal.

PS: Somos contra qualquer tipo de violência. Somos contra também, o uso das causas que afligem a sociedade, para benefício pessoal ou eleitoral.

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