Revista VEJA. Há 44 anos perdendo credibilidade

Posted on 20 de janeiro de 2012

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A revista VEJA ocupa, sem sombras de dúvidas, um dos papeis principais no “Caso BANCOOP”. Mas, para se entender toda armadilha feita pela revista, se faz necessário voltar ao passado. Vamos devagar e aos poucos. Usaremos de argumentos reais. Hoje, falaremos sobre o surgimento da revista, e um de seus fundadores – Mino Carta.

Era pra ser uma nova concepção de revista semanal

Em 1968, tempos de ditadura e terror, dois importantíssimos e premiados jornalistas brasileiros, Victor Civita e Mino Carta, fundam a revista VEJA, uma das primeiras de informação do Brasil e com foco em política. Hoje, matérias fantasiosas e publicadas fora dos padrões éticos do jornalismo, tornam comum a frequente contestação das publicações por ela feitas. Poderíamos, por aqui, simplesmente resumir a revista a um veículo de direita, tendencioso, racista e que visivelmente trabalha para atender aos mais diversos interesses políticos do PSDB.

Um pouco sobre Mino Carta

Dono dos textos considerados como os mais elegantes pela imprensa brasileira, Mino Carta, jornalista italiano naturalizado brasileiro, nasceu em 1933, na cidade de Gênova na Itália. Aos 12 anos, neto e filho de jornalista, Mino se muda com a família para o Brasil. Seu pai havia sido contratado para dirigir o Jornal a Folha de São Paulo. Mino, começou a escrever já na adolescência. Fazia crônicas sobre futebol. No ano de 1956, volta para a Itália e trabalha em dois jornais. Seu retorno ao Brasil ocorre no ano de 1960, quando cria a revista Quatro Rodas. No final da década de 60, Mino funda a revista Veja, onde desenvolve uma nova concepção de revista semanal no país, destacando a cobertura de acontecimentos políticos. Após se desligar oficialmente da revista, cria e dirige outros veículos – Revista Isto é, Jornal da República, revista Senhor e a Carta Capital, que dirige atualmente. Nos anos 2000, faz o lançamento de livros que tratam das relações entre o poder e a mídia.

E Mino pede para sair…

Em 1975, a editora Abril pediu um financiamento no valor de R$ 50 milhões, à Caixa para quitação de dívidas. A diretoria do banco aprovou, mas, Armando Falcão, ministro da Justiça vetou o empréstimo com a justificativa que a VEJA – carro chefe de publicações da editora Abril era antigoverno.  O empréstimo foi aprovado no ano seguinte, em 1976, após da saída de Mino Carta. O ex-diretor de redação da VEJA, num editorial, disse que saiu antes que fosse expulso e que não concordava em ter que negociar a própria saída. O jornalista conviveu de perto com a censura. A Revista foi censurada entre 1968 a 1976, foram cortadas, 10532 linhas de textos, 67 reportagens, 44 fotografias, 20 ilustrações e mais 4 anúncios. Muitos dizem que foi a partir da aprovação deste financiamento que a revista passou a atender interesses políticos de um grupo de direita. Muita politicagem e pouca realidade. Teria sido a saída de Mino o estopim para que a revista passasse a fazer politicagem ao invés de jornalismo?

A Veja sob a ótica de Mino Carta

Mino Carta resumiu em uma dura frase seus pensamentos sobre a revista VEJA, durante uma palestra na universidade Cásper Líbero no final de 2011: “VEJA é hoje monstruosa, hedionda. Eu criei um monstro”. Ainda mais incisivo, Mino atacou a postura da mídia brasileira, dizendo que a mesma é dominada por uma “elite herdeira do ideal da Casa Grande, que cuida para que as coisas permaneçam medievais por aqui”.

Atualmente

Podemos afirmar com veemência que as palavras de Mino Carta fazem todo sentido. Recentemente, o ator baiano Wagner Moura declarou à imprensa que não fala com a revista VEJA, a qual classificou como “reacionária, conservadora e elitista”. A revista tem sua linha editorial pautada por interesses partidários, algo que fica mais nítido nos anos pares, ou anos eleitorais. A BANCOOP é um exemplo e tanto. Em 2010, ano de eleições presidenciais, as pesquisas de intenção de voto mostravam José Serra (PSDB) em franca decadência, diante do crescimento da então candidata Dilma Roussef. A revista resolve então, requentar o “Caso BANCOOP”. Dedica a capa para falar de João Vaccari Neto (Ex-presidente da BANCOOP, jamais procurado pela revista).  “Caiu a casa do tesoureiro do PT”. Essa era a chamada da matéria que não trazia nada de novo e muito menos provas da acusação que sequer havia sido formalizada junto à Justiça. Queriam apenas vincular a BANCOOP de forma negativa ao PT e assim tentar “minar” a candidatura de Dilma. O debate perdeu o nível e a VEJA mais uma vez serviu de palanque para a propagação de calúnias e difamação. João Vaccari Neto tem ação contra revista. Abaixo, uma das importantes informações sobre o caso que a revista omitiu, se trata do trecho de um despacho em 12 de março de 2010, feito pelo Juiz de Direito, Carlos Eduardo Lora Franco:

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Posted in: Grande Mídia