A mídia e o poder de influenciar

Posted on 19 de dezembro de 2011

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O “Caso BANCOOP”, é o nome utilizado pela imprensa brasileira para se referir ao suposto desvio de dinheiro feito por dirigentes da Bancoop para campanhas petistas. A começar pela escolha do nome, já percebemos o poder que a mídia tem para influenciar pessoas e um determinado ambiente.

Mídia, palavra derivada do inglês, “Media”, esta, derivada do latim, “Medium”, que significa, aquele que está no meio. Noticiários, novelas, desenhos, anúncios, revistas, jornais, rádio, internet, filmes, músicas. Tudo isso faz parte da mídia, que pode ser vista como uma extensão da habilidade da comunicação humana.

No mundo, especialmente no Brasil, alguns meios de comunicação possuem interesses políticos e econômicos. Desta forma, passam a ser não apenas transmissores de informações, mas, formadores de crenças, culturas, opinião e valores que sustentam, as pretensões de grupos políticos, religiosos e outros. Por estes e outros motivos, é considerada o quarto poder.

Como a mídia tem a capacidade de atingir um grande contingente de pessoas, ela é considerada um patrimônio social fundamental para que o direito à comunicação seja exercido. O direito à comunicação é um dos principais, senão, o principal alicerce da liberdade.

Desde o ano de 1946, ano de fundação das Nações Unidas, muitos textos oficiais já destacavam a importância do direito à comunicação para o desenvolvimento da humanidade.  De acordo com a Declaração Universal dos Direitos Humanos de 1948, “Toda pessoa tem direito a liberdade de expressão e opinião, este direito inclui a liberdade de, sem interferência, ter opiniões e de procurar, receber e transmitir informações e ideias por quaisquer meios e independentemente de fronteiras”.

Os países que compõe a Organização dos Estados Americanos (OEA) criaram a Comissão Interamericana de Direitos Humanos, uma relatoria para a liberdade de expressão que visa proteção deste direito.  Segundo a carta de princípios básicos, o Estado deve assegurar à população o acesso à informação. A carta também diz que “os monopólios conspiram contra a democracia por restringir a pluralidade e a diversidade dos meios de comunicação”.

Por meio da mídia, você vê, você ouve, você conhece, e, você é influenciado.  O problema é que hoje, como alguns veículos de comunicação atendem a interesses pessoais ou de grupos, nem sempre é tarefa fácil saber se o que vemos, ouvimos ou conhecemos é verdade. Falta a “imparcialidade” e isenção na hora de noticiar.

A mesma mídia que noticiou a segregação racial, a morte de Martin Luther King, a eleição de Barack Obama, foi capaz de definir o rumo das eleições presidenciais de 1989 aqui no Brasil. Atualmente, tivemos a “confissão” de Boninho, que admitiu que as organizações Globo prejudicaram Lula.

Alguns fatos são ignorados, enquanto outros são tratados com uma supervalorização, exemplo disso é a BANCOOP. Neste momento é que vemos a parcialidade da mídia e o claro descumprimento da ética jornalística. Manchetes, editorais, capas e mais capas. Tudo orquestrado pelo PSDB, alinhado à mídia e ao promotor José Carlos Blat.

Antes mesmo de se ter alguma denúncia formalizada na Justiça, a mídia já reproduzia a sua versão dos acontecimentos.  É aí que vemos um dos grandes problemas do caso. Uma cooperativa e seus dirigentes sendo não apenas acusados, mas, condenados por veículos de comunicação sem que houvesse denúncia formal e, sem que fosse concedido por estes meios o direito de resposta. A BANCOOP e seus dirigentes nunca foram ouvidos ou procurados, mesmo em diversas ocasiões tendo se colocado à disposição para prestação de esclarecimentos.O Promotor José Carlos Blat acionou primeiramente a imprensa e anos depois a Justiça. O coerente seria optar pelo caminho inverso.  As publicações feitas a partir dos relatos de Blat apresentaram apenas e tão somente a versão do promotor (totalmente evasiva e sem provas).

Houve até mesmo despacho de juiz que falava que o caso não poderia ser tratado com viés político, como sempre ocorreu. O grande verbete, sempre contido nas publicações era a sigla partidária PT e, a maioria das inserções se deram durante a campanha eleitoral de 2010, no momento em que José Serra (PSDB), então candidato à presidência da república, perdia para a candidata Dilma Roussef (PT), nas pesquisas de intenção de voto.

A revista VEJA foi o veículo que mais repercutiu o caso, sempre com as mesmas denúncias sem fundamentos, como se fosse um “Vale a pena ver de novo”. As manchetes e matérias desta revista, “pareciam prever o futuro”. Assim foi com a instauração da CPI, que se deu exatamente depois de uma publicação da revista, que tratou de requentar o caso e já justificar as convocações que seriam feitas. Este mesmo veículo, jamais publicou uma linha vinda de depoimento dos dirigentes da Bancoop, tampouco, publicou que o juiz Carlos Eduardo Lora Franco, rejeitou o pedido feito por José Carlos, que solicitava a quebra de sigilo bancário de João Vaccari Neto. A revista VEJA também não fez publicações que mostrassem as ações saneadoras tomadas na gestão de Vaccari, tais como os acordos efetuados com os cooperados que aprovam as condições oferecidas, ou, que a Auditoria Independente que foi contratada após indicação dos associados, aprovou todos os balanços anuais feitos durante a gestão de João Vaccari Neto.

O resultado desta exploração midiática, feita apenas para atender a interesses políticos de um determinado grupo,neste caso o PSDB . prejudicou o andamento das soluções já estruturadas por João Vaccari Neto. As “notícias espalhadas” com total falta de responsabilidade, criaram uma atmosfera negativa e instável entre os cooperados, que  se sentiram prejudicados e deixaram de efetuar o pagamento do reforço de caixa, cujo valor é necessário para a conclusão das obras, que, pela falta de dinheiro em caixa, podem ser atrasadas ou paralisadas. Resumindo, se uma pequena parcela deixa de arcar com suas responsabilidades, todos são prejudicados no sistema cooperativista.

A Bancoop tem ações contra a revista Veja e o Jornal Estado de São Paulo, pois tais veículos feriram os príncipios éticos e básicos do jornalismo.

Em futuros posts, falaremos mais desta revista, da sua forma de trabalhar e da ligação que possui com o promotor José Carlos Blat. Falaremos também, da grande recorrência deste assunto durante os anos com eleições.

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