A PRIVATARIA TUCANA X O CASO BANCOOP

Posted on 15 de dezembro de 2011

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Seria muita negligência de nossa parte deixar de falar sobre um dos assuntos mais comentados nas redes sociais nos últimos dias: o livro A PRIVATARIA TUCANA. Resolvemos falar disso por aqui, porque depois de uma postura de silêncio adotada pela grande mídia durante os últimos dias, nos deparamos hoje, na iminência de ocorrer com A Privataria Tucana o mesmo que ocorreu com a BANCOOP: a criação de um factoide.

Na sexta-feira passada, dia 9 de dezembro, foi lançado o livro A PRIVATARIA TUCANA, cujo autor é o premiado repórter investigativo, Amaury Ribeiro Júnior.

O livro, que é uma  coletânea dos mal feitos tucanos, nos dá a oportunidade de revisitar um dos capítulos mais tristes de nossa história – A entrega do patrimônio público brasileiro, conduzida durante a privatização das estatais de telecomunicações nos anos 90, no governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que tinha como ministro do planejamento, José Serra. Retrata um esquema ardiloso e inimaginável de desvio, lavagem de dinheiro, pagamento de propina, paraíso fiscal e outros, tudo dentro de um projeto financeiro-familiar cuja peça central e principal é José Serra do PSDB.Verônica Serra e seu marido, Alexandre Bourgeois, Ricardo Sérgio de Oliveira (ex-tesoureiro das campanhas de SERRA e FHC), PHC, isso mesmo, Paulo Henrique Cardoso, filho do ex-presidente e empresas de fachas, são desenrolados feitos novelo de lã no livro.

Das 300 páginas, 112 são de documentos oficiais, obtidos pelo jornalista, de forma legal durante suas investigações. O livro deixa muito claro a participação e condução de dirigentes e familiares tucanos no maior esquema de corrupção do Brasil. São bilhões de dólares mandados para fora do Brasil e trazidos de volta para nosso país em negócios de aparência legal.

A Privataria Tucana vendeu em menos de 48 horas, 30 mil exemplares e as livrarias possuem grande lista de espera para compra do livro. É um best-seller de vendagem e repercussão.

São muitas as semelhanças, contradições com alternância de barulho e silêncio entre o livro  “Privataria Tucana” e o “Caso BANCOOP”. Vamos lá:

Das Acusações:

O Caso BANCOOP nada mais é que um factoide eleitoral criado pelo PSDB e operado pelo promotor José Carlos Blat, numa tentativa de tornar a gestão saneadora de João Vaccari Neto em uma operação criminosa que arrecadava fundos para o “Caixa 2 do PT”, sendo que o valor da denúncia é algo em torno de R$ 100 milhões.

A Privataria Tucana aborda os bastidores dos anos infames do governo FHC, período em que foram desviados bilhões de reais do bolso dos brasileiros, lavados e usados como pagamento de propina pelos dirigentes do PSDB, durante as privatizações de nossas teles. E mais, dá “nome aos bois” e apresenta documentos contundentes. O rombo seria algo semelhante a R$ 30 bilhões.

Personagens

Ambos os casos, contam com participações especiais e de coadjuvantes, todos membros da cúpula tucana. Em comum, as “peças centrais” são ex-tesoureiros de campanhas eleitorais. A diferença é que João Vaccari Neto é acusado injustamente. As denúncias feitas ao ex-presidente da Bancoop são referentes a um período em que o mesmo não possuía função administrativa. João Vaccari Neto não tem nada que desabone sua conduta e índole.

Ricardo Sérgio Oliveira, que ocupou a diretoria internacional do Banco do Brasil,  é o grande articulador do esquema das privatizações. Ele quem fez toda a “engenharia” da lavagem do dinheiro. Economista, e também conhecido como “Mister Big”, Ricardo, ganhou notoriedade nas privatizações da Vale do Rio Doce e da Telebrás durante o mandato de FHC. Num episódio conhecido como “Grampo BNDES”, foi flagrado confessando como agiam nos leilões das Teles: “estamos agindo no limite da irresponsabilidade” .Tesoureiro das campanhas eleitorais do PSDB em 1994 e 1998, começou agindo como uma espécie de coletor de fundos, hoje, tem seu nome envolvido em denúncias que vão desde a cobrança de propina de empresários de estatais, fraudes em privatizações (como a do Banestado) e desvio de dinheiro público para diversos paraísos fiscais (R$ 30 bilhões desviados ao exterior pelo banco estadual do Paraná em 1996) e levantamento de dinheiro do fundo de bancos públicos.

São muitos os envolvidos neste grandioso esquema. Os nomes vão desde Tasso Jereissati, Daniel Dantas, a esposa do ex-ministro saúde, até o ex-presidente da república, Fernando Henrique Cardoso(PSDB).

Das Provas:

O livro A Privataria Tucana traz 140 documentos oficiaisl. Já o “Caso BANCOOP” é feito de acusações infundadas, fantasiosas e sem provas. Inclusive, durante o período de investigação, o juiz Carlos Eduardo Flora Franco, proferiu o despacho abaixo, pedindo ao promotor José Carlos que apresentasse provas das acusações que fazia:

Imprensa:

É neste ponto que se encontram muitas contradições. Só que apesar de serem contradições, elas esclarecem e muito o comportamento que a grande mídia sempre adotou.

O Caso “BANCOOP” teve uma exploração midiática incontestável. Revistas, jornais e TV, meios de massa como os citados, dedicaram além de tempo, capa, linhas e mais linhas para tratar deste factoide com muito empenho. A dedicação só não foi completa pela falha de jamais terem permitido que os dirigentes da BANCOOP apresentassem sua versão dos fatos. Outro fator que deve ser salientado, é que as inserções tiveram perceptível aumento nos anos com eleições, em especial, no ano de 2010.

Manchete, elementos gráficos e texto. Tudo feito com o máximo de sensacionalismo.

O Calunista da revista Veja, Reinado Azevedo, sempre dispensou de seu tempo para falar da BANCOOP de forma tendenciosa e fantasiosa.

O livro A Privataria Tucana foi simplesmente ignorado pelos grandes meios de comunicação. Com raras exceções, como por exemplo, a entrevista que PH Amorim fez com o autor do livro, o escritor Amaury Ribeiro Júnior e o espaço dedicado no telejornal comandado por Heródoto na Record News. A verdade é que depois das milhares de manifestações feitas nas redes sociais, a imprensa faz meio que a contragosto e em alguns casos de forma duvidosa, a inserção de matérias sobre o livro.

Reações:

Dos acusados, as reações são distintas:

João Vaccari Neto jamais se negou a prestar esclarecimentos, pelo contrário, sempre esteve à disposição, mesmo sem ter espaço para que isso ocorresse.

Depois de ter optado por um silêncio revelador, José Serra, quando indagado por uma repórter sobre o que achava do conteúdo do livro, se mostrou muito irritado e classificou a obra como “lixo”, “coleção de calúnias” e “crime organizado fingindo ser jornalismo”.

Mister Big, ou Ricardo Sérgio Oliveira, segundo seu advogado não quis se manifestar.

Nos plenários, o tema não deixou de ser discutido.  Humberto Costa, líder do PT (PE), na última quarta-feira, pediu que o Ministério Público, a Polícia e a Receita Federal, reabram o processo sobre as investigações da privatização das teles. Numa reação totalmente adversa, o senador Aloysio Nunes do PSDB (SP), subiu à Tribuna e contestou as declarações de Humberto dizendo que as pessoas que hoje difundem esta calúnia,irão “pagar um preço alto por isso”. O senador que não deu explicações sobre as acusações, era Chefe da Casa Civil no governo de FHC.

Surgimento de um Factoide:

A maioria esmagadora dos meios de comunicação do país não noticiaram a publicação do livro, tampouco seu sucesso de vendas.

Até então, Privataria Tucana só tinha aparecido neste jornal, na livraria da Folha porque está em os livros mais vendidos.

Entretanto, hoje, chama a atenção da primeira matéria publicada pelo jornal a Folha de São Paulo.

A matéria tenta claramente desqualificar o livro de Amaury Júnior, utilizando uma espécie de infográfico com o título “História pela metade”, que aponta os pontos fracos do livro. Diz ainda, que o mesmo não comprova as denúncias feitas a José Serra e sua filha, Verônica Serra. A matéria também reproduz a declaração de SERRA que diz que Amaury Ribeiro Júnior, autor do livro, foi indiciado pela Polícia Federal no inquérito que apura a suposta montagem de um documento com informações confidenciais sobre os correligionários do PSDB durante a eleição presidencial de 2010. A declaração do tucano visa arranhar a credibilidade do autor.  Na matéria em questão, não há uma palavra de Amaury Ribeiro Júnior. Este foi o primeiro pronunciamento do jornal feito sobre o livro, até então, a publicação do livro havia sido ignorada. Uma pergunta apenas: Porquê?

A verdade é que os maiores veículos de comunicação do país, não noticiaram o livro. Este silêncio disse muito mais que qualquer palavra que fosse mencionada durante a exibição de jornais televisivos com altos índices de audiência. Há tempos convivemos com uma imprensa que trata um ex-presidente reconhecido mundialmente como “anta”, ou com colunistas que publicam livros onde tratam petistas como “petralhas”. Para isso, sempre houve espaço de reverberação. Na contramão de tanto espaço dado para “uns”, vemos hoje, NADA, foi noticiado a respeito do caso. A Revista Veja, não falou sobre o livro. Não fossem as Redes Sociais que mostram cada vez mais força e poder de disseminação de informações, o caso não teria a notoriedade que tem.

Desde que Dilma Roussef assumiu a presidência da república, temos convivido com o constante “trabalho da imprensa”, de publicar denúncias e cobrar sistematicamente providências do governo. Antes mesmo de que sejam feitas as devidas averiguações, a imprensa já trata de conduzir os casos à sua maneira, ao transformar seus alvos em réus e estabelecer sentenças. O ministro de Desenvolvimento Fernando Pimentel é o exemplo mais recente do que estamos falando.

Não é todo dia que um livro político-jornalista vende e gera comentários como A Privataria Tucana. Vamos ressaltar que este grande feito não teve apoio da grande mídia. Isso nos mostra que mesmo com passos curtos, estamos avançando e deixando de ser reféns de uma ditadura disfarçada de imprensa independente.

Não podemos nos calar diante do diferenciado tratamento dado aos partidos pelos meios de comunicação. Afinal, a imprensa  não deve servir para os interesses alheios de um e de outros. Seu trabalho é para o povo e deve ser feito de forma ética, transparente, apartidária e isenta. Que haja liberdade de imprensa, mas que exista também igualdade dos direitos e deveres.

Prótogenes Queiroz, deputado pelo PCdoB, criou um requerimento pedindo a abertura da CPI Privataria Tucana, e conseguiu coletar 172 assinaturas, uma a mais que o necessário para instaurar a Comissão.  Vamos ver quantos canais da TV aberta vão noticiar o fato. Se noticiar, vamos ver a forma como isso será feito. Hoje, a Privataria Tucana teve destaque numa matéria da imprensa americana.

Não deixemos que façam com A Privataria Tucana o que tentaram fazer com a BANCOOP. Seja por meio de barulho ou de um falso silêncio.

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